Município de Alenquer

Áreas Classificadas

 

 

O concelho de Alenquer tem parte do seu território municipal inserido em duas áreas classificadas: o Monumento Natural Local do Canhão Cársico de Ota (MNLCCO) e a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto (PPSM). O MNLCCO integra desde 2014, o Inventário de Geossítios de Relevância Nacional. A PPSM integra parte da Zona Especial de Conservação (ZEC) da Rede Natura 2000 PTCON0048 “Serra de Montejunto”. Além desta classificação ao nível comunitário, a PPSM está classificada ao abrigo da legislação nacional, através do Decreto Regulamentar nº 11/99 de 22 de julho, como Área de Paisagem Protegida de Âmbito Regional.

  • Monumento Natural Local do Canhão Cársico de Ota

    O Canhão Cársico de Ota foi objeto de classificação por iniciativa municipal como Monumento Natural de Âmbito Local, aprovada em reunião ordinária da Assembleia Municipal de 26 de junho de 2019 e objeto de publicação em Diário da República, II Série, de 26 de setembro de 2019, sob o Edital n.º 1073/2019.

    O Canhão Cársico de Ota reúne um conjunto de valores naturais, constituindo um dos mais valiosos tesouros do Património Natural, Histórico e Cultural do concelho de Alenquer. Apresenta um vale escarpado, estreito e profundo com vertentes abruptas, resultado da ação erosiva do rio no calcário do Jurássico Superior. De referir, constitui um dos mais interessantes vales em “canhão” das regiões calcárias portuguesas, com escarpas a pique e cones de cascalheiras. Este vale integra ainda desde 2014, o Inventário de Geossítios de Relevância Nacional.

    O Monumento Natural Local do Canhão Cársico de Ota totaliza 316,29 ha e encontra-se localizado entre as aldeias da Atouguia das Cabras e a aldeia da Ota, por onde drena a Ribeira da Ota, afluente da Ribeira de Alenquer e que conflui com esta, já na proximidade do rio Tejo. A Ribeira da Ota é um curso de água sazonal que nasce na Serra de Montejunto, e que percorre a Serra da Ota, onde se formaram inúmeras cascalheiras ao longo de 2.5 km, devido à erosão fluvio-cársica das paredes verticais que formam atualmente o Canhão.

    De acordo com especialistas das diferentes áreas científicas, o conjunto geomorfológico deste local e o seu excelente estado de conservação, abriga comunidades vegetais e elementos biológicos de grande importância para a conservação da biodiversidade.

    Com uma ampla diversidade de flora e um excecional valor das unidades de vegetação, o Canhão Cársico da Serra de Ota reúne um conjunto considerável de espécies importantes em termos de conservação, classificadas como RELAPE (Raras, Endémicas, Localmente Ameaçadas e em Perigo de Extinção), tais como a Arabis verna, a Orobanche clausonis subsp. hesperina, Senecio minutus, entre outras. Ainda, ocorrem neste local cinco espécies que estão incluídas em anexos do DL 140/99, de 24 de abril, com a redação dada pelo DL 49/2005, de 24 de fevereiro (Transposição da Diretiva Habitats), nomeadamente: Juncus valvatus var. valvatus e Silene longicilia (Anexos II e IV), e Iris xiphium var. lusitanicaNarcissus bulbocodium e Ruscus aculeatus (Anexo V).

    Em termos faunísticos, podemos encontrar espécies como a raposa (Vulpes vulpes) e a gineta (Genetta genetta). Das espécies registradas, algumas assumem especial relevância por nidificarem no Canhão Cársico da Serra de Ota e/ ou pelo seu estatuto de ameaça, nomeadamente a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), açor (Accipiter gentilis), a rola-brava (Streptopelia turtur), o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), o morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros), a largartixa-do-mato-ibérica (Psammodromus hispanicus), entre outras. 

    Qualquer projeto, atividade ou ato proposto ou praticado no Monumento Natural Local do Canhão Cársico de Ota, está sujeito a parecer da Comissão Diretiva representante, e deve ser coerente com os propósitos de conservação e promoção da biodiversidade e geodiversidade presentes na área em causa, assim como do património histórico-cultural existente, devendo salvaguardar a integração sustentável do uso do território pelo Homem e o equilíbrio ecológico dos ecossistemas presentes.

    CONTACTOS

    E-mail: mnlcc.ota@cm-alenquer.pt

  • Paisagem Protegida da Serra de Montejunto / Rede Natura 2000

    A Serra de Montejunto foi objeto de classificação por iniciativa municipal das autarquias de Alenquer e Cadaval como Paisagem Protegida de Âmbito Regional, e objeto de Decreto-Regulamentar n.º 11/99 de 22 de julho, publicado em Diário da República, I Série - B.

    A Serra de Montejunto constitui um repositório de vegetação natural de importância nacional, para além do interesse de ordem geológica, traduzido nos afloramentos rochosos, que proporcionam aspetos de grande interesse paisagístico, encenando panorâmicas de grande beleza natural. Além de integrar a rede nacional de áreas protegidas, é também considerada como um local importante para a conservação a nível europeu, onde parte significativa do seu território integra a Rede Natura 2000.

    A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto totaliza 4897,45 ha, sendo que desses 3830 hectares corresponde a Zona Especial de Conservação (ZEC) (cerca de 78%), localizados entre os concelhos de Alenquer (1015 ha), Azambuja (6 ha) e Cadaval (2810 ha). A Serra de Montejunto constitui um sistema de Montanha, representando o extremo Sudoeste do maciço estremenho, com escarpas e declives acentuados, lajes dispostas em plataformas percorridas por fendas, e cascalheiras. Com 666 m de altura, 15 km de extensão e 7 km de largura, funciona como uma barreira biogeográfica à influência oceânica e representa um importante refúgio para muitas espécies de fauna e flora, pelo facto de toda a zona envolvente ser bastante humanizada e com uma intensa atividade agrícola.

    A Serra de Montejunto tem uma longa tradição de trabalhos de campo e estudos efetuados por especialistas das diferentes áreas, nomeadamente de biólogos, ecólogos e botânicos, que afirmam que este local se reveste de uma grande diversidade de habitats e plantas com características fitogeográficas diversas e únicas, assim como estão presentes animais com elevado interesse ao nível da conservação nomeadamente de aves. Apesar de uma envolvente bastante humanizada e com uma intensa atividade agrícola e florestal dominada pela produção de eucalipto, a Serra de Montejunto comporta uma diversidade florística única, associada às condições edafoclimáticas existentes, com enumerados registos de espécies raras, endémicas e/ou ameaçadas.

    Segundo o Plano Setorial da Rede Natura 2000 (2008), na ZEC Serra de Montejunto «A diversidade florística é elevada e, para além de vários endemismos lusitanos calcícolas, como Arabis sadina, Silene longicilia e Senecio doronicum subsp. lusitanicus, existem aqui espécies raras que, na sua limitada distribuição geográfica, detêm nesta área uma boa representação populacional».

    Em termos faunísticos, em particular no que diz respeito aos Quirópteros e às aves, trata-se de uma zona importante de hibernação para morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), sendo também utilizado como abrigo satélite de criação para machos e fêmeas não reprodutoras, e uma importante zona de nidificação para espécies como o andorinhão-real (Apus melba). Aqui podemos ainda encontrar registos de espécies com importante estatuto de conservação, nomeadamente o bufo-real (Bubo bubo), a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), o melro-azul (Monticola solitarius), mas também a víbora-cornuda (Vipera latastei), o grilo-de-sela-capuchinho (Pycnogaster cucullatus), entre outras.

    Qualquer projeto, atividade ou ato proposto ou praticado na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, está sujeito a parecer da Comissão Diretiva representante, devendo seguir os pressupostos da promoção e conservação dos valores naturais e do património histórico-cultural, fomentando uma gestão sustentável do território.

    Mais informações

    CONTACTOS:

    • Paisagem Protegida da Serra de Montejunto

    E-mail: paisagemprotegida@montejunto.pt

    • Centro de Interpretação Ambiental

    Quinta da Serra, Montejunto

    2550-367 Lamas CDV

    GPS 39°10'48.00"N | 09°2'58.66"W

    Tel.: 262 777 888

    E-mail: turismo@cm-cadaval.pt

    • Associação de Municípios de Alenquer e Cadaval

    E-mail: amac@montejunto.pt

  • Rede Municipal de Conservação

    Além das áreas classificadas, distinguem-se igualmente outras zonas no Concelho com interesse regional e local para a conservação da Natureza, sendo de referir nomeadamente os fragmentos dispersos de habitats pelo território de Alenquer, com espécies de floresta autóctone protegidas por legislação específica, como é o caso dos núcleos de sobreiros e de azinheiras, mas também de núcleos sem proteção legal, com funções ecológicas importantes como é o caso dos carvalhais, da vegetação ripícola, entre outros.

    Os habitats ribeirinhos do Rio de Alenquer, aqui destacando-se o corredor ripícola autóctone na Mata do Rolim na Vila de Alenquer, são um exemplo de uma zona de interesse local, bem conservada e com presença de espécies autóctones como o freixo-comum (Fraxinus angustifolia subsp. angustifolia), o loureiro (Laurus nobilis), o amieiro (Alnus glutinosa), entre outras. No caudal hídrico do Rio de Alenquer é possível observar espécies como a garça-real (Ardea cinerea), a galinha-d’água (Gallinula chloropus), guarda-rios (Alcedo atthis), lontra (Lutra lutra), e várias espécies de anfíbios e répteis. Relativamente à ictiofauna ocorrem registos de diversas espécies autóctones, entre as quais endémicas e classificadas com estatuto de ameaça de extinção, nomeadamente a boga-portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum), a enguia (Anguilla anguilla), o escalo-do-sul (Squalius pyrenaicus) e o bordalo (Squalius alburnoide).

    Os valores de fauna e flora das zonas do Concelho de interesse à conservação da natureza, tanto habitats como linhas de água, não se encontram geograficamente identificados como acontece com os valores das áreas protegidas, sendo que a sua implementação em Rede Municipal de Conservação com a respetiva identificação geográfica se reveste de especial importância.

    Face às características dos habitats com núcleos de espécies autóctones, nomeadamente no que confere à sua fragmentação e à necessidade de criação de corredores ecológicos dentro e fora das áreas protegidas do Concelho, o Município de Alenquer pretende atribuir uma importância generalizada em termos de conservação da biodiversidade, sendo expectável que, além da importância cientificamente comprovada na prestação dos serviços do ecossistema, a presença de valores patrimoniais relevantes venha a ser confirmada em futuros trabalhos de investigação.

    Reconhecendo a importância dos corredores de vegetação ripícola e palustre junto dos cursos hídricos, a mesma situação, com efeitos de salvaguarda e valorização, pretende ser aplicada ao sistema hidrográfico do Concelho, que apresenta uma ampla distribuição e interligação entre linhas de água conferindo um importante habitat para diversas espécies de fauna e flora associadas.

    CONTACTO

    E-mail: ambiente@cm-alenquer.pt

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